Conheça o Crepop

A criação do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) é um desdobramento de reflexões sobre a prática profissional dos psicólogos no Brasil iniciadas ainda nos anos de 1970. Tais reflexões se ampliaram em paralelo com a progressiva inserção dos psicólogos no campo social durante as décadas de 1980 e 1990, o que tornou urgente a necessidade de aprofundar e embasar melhor os conhecimentos sobre a relação entre Psicologia e Políticas Públicas.

Nessa perspectiva, algumas iniciativas foram desenvolvidas pelo Conselho Federal de Psicologia. No campo do debate interno à categoria, destacam-se os Seminários Nacionais de Psicologia e Políticas Públicas. Já na relação entre o fazer psicológico e o Estado, destaca-se a experiência do Banco Social de Serviços, cujo objetivo era apresentar a Psicologia e suas possíveis contribuições a Ministérios e Secretarias Estaduais, ofertando projetos de intervenção em áreas nas quais não havia psicólogos atuando e/ou nas quais se colocava a necessidade de alguma intervenção urgente.

A ideia do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas surge durante a realização desse projeto, sendo debatida e definida como deliberação do V Congresso Nacional de Psicologia, em 2004. No ano seguinte, o relatório da experiência do Banco Social de Serviços apresenta o projeto do Centro como sua continuidade. Segundo esse documento:

O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas deve fazer, permanentemente, um esforço de identificar as práticas dos psicólogos no interior das políticas públicas, práticas estas que estão dispersas, desorganizadas ou são eventuais e convocar os seus protagonistas, ou seja, aqueles psicólogos que são pioneiros ou que estão respondendo por essa prática, no sentido de que eles se organizem para produzir referências sobre essa atuação, para que depois possam ser documentadas e possam ser colocadas à disposição daqueles que as necessitam. Essas referências devem estar à disposição dos psicólogos que desejam trabalhar nessa esfera de políticas públicas, dos contratantes dos psicólogos, no sentido que eles possam ter clareza da contribuição específica e das expectativas legítimas que podem ser cultivadas acerca da participação da psicologia nessas políticas públicas, e das universidades e centros de formação, no sentido de que o conhecimento dessas práticas possa orientar o preparo dos futuros psicólogos já sintonizados com a realidade do mercado profissional (Conselho Federal de Psicologia, p. 95).

A criação do Centro foi aprovada na Assembleia de Políticas, da Administração e das Finanças (APAF) de dezembro de 2005 e o início das atividades ocorreu no ano seguinte, com representação do CREPOP em todos os Conselhos Regionais de Psicologia existentes a época. Foi desenvolvida uma metodologia própria, organizada em torno de áreas temáticas, envolvendo múltiplas estratégias de coleta de dados com vistas à produção de referências técnicas para a atuação de psicólogos em políticas públicas.

Diante da amplitude e diversidade dos dados sobre a prática profissional, evidenciou-se a necessidade de uma depuração mais elaborada, o que deu início à parceria do CREPOP com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que durou de 2007 a 2010. Essa parceria consistia elaboração de relatórios descritivos a partir dos referidos dados por um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (CEAPG) da FGV. Tais relatórios serviam de base para a elaboração das referências técnicas, sendo que alguns dos que tratavam de dados qualitativos viriam a ser publicados em uma versão resumida.

Em 2010, essa consultoria técnica passou a ser prestada pelo Grupo de Pesquisas Marxismo e Educação (GPM&E), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que assumiu a tarefa de gerar relatórios descritivos contendo análises de dados qualitativos. O GPM&E participou, ainda, dos debates em torno da revisão da metodologia do CREPOP e da elaboração da política de indução de dados do Centro.

A heterogeneidade da metodologia do CREPOP e as lacunas dela decorrentes vinham sendo expostas e debatidas de forma assistemática conforme as pesquisas eram conduzidas. Em 2010, o trato com um tema cuja grande complexidade extrapolava os limites do esquema de trabalho utilizado até então culminou na formação de uma comissão Ad Hoc, cuja atribuição era a reestruturação da metodologia do CREPOP e a realização de um Seminário Nacional sobre o tema. O evento foi realizado nos dias 15 e 16 de julho de 2011 e em janeiro de 2012 foi lançado o documento Metodologia do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas, no qual consta o delineamento aprimorado da metodologia do CREPOP.

O processo de reestruturação da metodologia foi acompanhado por reflexões sobre o subaproveitamento dos dados gerados pelo Centro ao longo de sua existência. Em resposta a essa demanda, ao final de 2011 foi pautada em APAF a proposta de construção de uma política indutora de uso acadêmico e científico dos dados produzidos pelo CREPOP. Foi deliberada a formação de um Grupo de Trabalho responsável por essa tarefa, o qual foi formado no ano de 2012, contando com o conselheiro federal responsável pelo Centro e 6 conselheiros regionais. Este GT elaborou uma minuta para a política, a partir de diferentes modelos de regulação de convênios e políticas de uso de dados de instituições de fomento, ensino e pesquisa amplamente reconhecidas, a qual está em fase de revisão.

No decorrer de sua história, o CREPOP publicou um total de 14 referências técnicas, 6 relatos de práticas inovadoras, 5 resumos de relatório sobre dados qualitativos de práticas profissionais e 2 guias de contribuições para gestores. Todos esses documentos em breve estarão disponíveis para acesso na seção “Produções”, juntamente com os levantamentos dos marcos lógicos e legais de cada área pesquisada, e os relatórios de dados gerados pela FGV e pelo GPME.

No momento, o Centro está conduzindo 13 pesquisas, que estão em diferentes estágios de andamento, todas com previsão de conclusão em 2016.

Referências:

Conselho Federal de Psicologia. (2005). Banco Social de Serviços. Relatório Final. Brasília: Conselho Federal de Psicologia.

Gonçalves, M. G. M. (2010). Psicologia e Políticas Públicas. In M. G. M. Gonçalves (Org.). Psicologia, subjetividade e políticas públicas (pp. 77-129). São Paulo: Cortez.